janeiro 19, 2015

Liabilities I

We're all becoming liabilities. To the world, to others, to ourselves. Our challenge is to bear the burden of being oneself, even with all the scrapes and bruises that makes us part of what we are. Life is not 'bout creating a safe environment, but surviving the very fact that we're alive.

outubro 16, 2014

Certeza

- E a pior coisa do mundo?
- A certeza.
- Achei que você ia falar que era a morte.
- ...e não é a morte a única certeza do mundo e, ao mesmo tempo, a pior?
- ...
- ...
- E quanto ao amor?
- Que tem a ver o amor com a certeza?
- Nada.
- ...
- Certeza e amor nada tem a ver um c'outro.
- ...
- O que foi?
- ...então não me amas?
- Te amo, meu amor. Te amo desesperadamente.

Só não tenho certeza disso.

setembro 25, 2014

Amor de Metrô

Tá cheio. 
É a linha azul às 18 horas de um domingo, é de se esperar. 
O empresário do meu lado parece impaciente olhando pro relógio de pulso, e só desvia a atenção pra checar a possível luz no fim do túnel. O vagão se aproxima, lento e descompromissado com a irritação do senhor que, impaciente, suspira. 
E, então, ela chega. Ela se senta, ela fica de pé, quem sabe segura uma criança. Quem é ela? Paixão de metrô, um dos meus prazeres mais platônicos. Quem é ela? Ela é linda porque não é nada demais. Ela é absolutamente cotidiana, ela é linda até a próxima estação. Ou será ainda a próxima? Não sei. Só sei que não sei há quanto tempo a tenho observado, dormindo, lendo, cantarolando baixo, fazendo nada, escrevendo algo, olhando desinteressada para os trilhos do metrô. 
Amor de metrô: dura até a próxima estação. Ou será a próxima? Não sei, mas ela é linda! Linda até a última estação, linda sem explicar, linda entre o Paraíso e a Consolação, linda no espaço de um vagão inteiro. Ela é demasia e suficiência, e ela se levanta, calma e oblíqua, como quem decidiu descer de repente. Mas não desce. Fica no meu trem até a próxima estação. Ou será a próxima? 
Cruzam-se as linhas coloridas do metrô e o vagão range os trilhos ao acelerar descompassado, mas ela nem sabe que já passei da minha estação há tempos. E, sem saber, ela me conduz no trilho do trem pra mais uma estação. Ou será talvez mais uma? Afinal, quem é ela? Ela é linda no vão entre o trem e a plataforma, ela é linda sem esforço e sem saber, e é corriqueira e comum e tola. 
Ela passa pelas catracas, ela senta ali no canto, ela diz algo ao telefone, ela olha, ela dorme, ela suspira, ela se mexe, ela rabisca. Ela desce na próxima estação. Ou será, talvez, na próxima? 
Ela é banal, ela é linda, ela é costumeira. 

Ela basta.

setembro 04, 2014

.

Às vezes acho que o tempo só passa pra me lembrar que eu mudei; se eu não mudei, o tempo não passou. Por isso me sinto tão velho; mudei tanto em tão pouco tempo...
Passaram séculos da minha vida em uma só semana.

setembro 01, 2014

Amor Pirata

Veja bem: não é que piratas como eu não se apaixonam. Não é por desencanto, desamor ou descaso; é que por acaso os ventos meus e teus nos sopram pr'outros mares. E de males meu navio já está farto, meu amor. O papagaio no meu ombro só me conta desgraças, e este meu tapa-olho só serve pr'eu ver meias-verdades. Não sei se meu navio afunda com o peso disto tudo, nem sei se chegaremos à próxima cidade a tempo. Só sei que paixão de pirata não é porto, é vento. E me perdoe pelo meu amor torto, e pelo meu coração moleque que não faz nada além de soprar esses ventos. Meus pulmões estão cheios de sal do mar, mal consigo respirar novos ares.

Meu amor é vento, meu amor.

Vento a gente não pega na mão, vento a gente sente.
Vento não pára quando chega aqui ou ali; vento venta. Ventania, vendaval, brisa, maresia, mormaço, sopro, furacão. Tudo o que podes fazer, ao ver meu navio passar ao longe, é respirar. Respira e o vento se encarrega de te trazer aqui pr'mim. 
Respira e a maré te traz pelas ondas feito barco de papel.
Respira e os piratas vão aí te roubar pr'mim.
Respira que te roubo.
Respira que respiro.
Respira-me.

O vento há de te soprar no meu caminho.

agosto 17, 2014

Dirija.

Dirija lento, até a estrada acabar. Devagar, vago, encontro uma vaga no estacionamento ali do seu prédio. Não é o bairro das laranjeiras que, satisfeito, sorri. Sou eu mesmo que sorrio quando, sem menos esperar, você aparece ali no elevador. Caminhamos até a porta do carro, carreta, moto, charrete, quadricículo ou patinete: não importa. Se dirigir, te bebo. Os goles e as curvas da estrada fazem tremer nossos corpos, que já tremiam por si só. Dirija, meu bem, e dirija longe. Dirija até acabar a estrada, depois disso abriremos trilhas nas estrelas.

agosto 13, 2014

My head is an animal.

My head is an animal. Clentching it's teeth on my skin, dragging it's claws across my chest, digging deep into my flesh and bones. Breaking, dripping, gazing, howling at the moon and reminding me to keep away from thoughts of morbidity. For everything that rushes through me from now on is nothing but pure dirty energy.
'There's no place for dead ones here, have you not heard?' it says. 'This animal is now a temple of freedom. Death cannot pass through these gates, for your mind is soundlessly peaceful with the energy of it's own awareness'. The animal in my head begins to roar, and it echoes down my veins and skull. This sound rushes through my blood, opening up my pores as I try to listen to it. My ears hurt just of trying to keep up to the heavy breathing of it. I can't. I absolutely can't keep up with it. Slowly, as my body melts into this big pool of liquid freedom, and I see it taking shape, bathed in blood. Is it a lion? Maybe a bear, perhaps a fox. I don't know, it moves so slowly across the floor that I can barely look at it straight. It saunters as I try to look, and it quickly glances at me for a second. It's fur is stained with my blood, and it's breath fills my head with heat and steam. This animal of mine (or am I it's?) steps slowly into the open field we suddenly appeared at. It starts running. It runs, runs, runs deep into nowhere. What was left of me is torn apart by it's final roar. It's so loud and clear that my ears bleed. I cannot live anymore, not because it has killed me, but because I have already died. For I am an animal.